Confiar a uma agência a venda da sua casa, a gestão do seu imóvel ou a busca da sua primeira moradia na França significa entregar a ela dinheiro, documentos pessoais e um contrato que compromete você. A França regula esta profissão desde 1970, e a boa notícia é que cada uma dessas obrigações pode ser verificada on-line, de graça, em poucos minutos. Estas são as 8 verificações que recomendamos a todo vendedor, comprador ou inquilino antes de assinar qualquer coisa.
O que torna uma agência imobiliária confiável na França, em resumo
Na França, uma agência séria deixa atrás de si provas que você mesmo pode verificar: uma "carte T" (a licença profissional obrigatória para intermediar vendas e aluguéis), emitida pela câmara de comércio ao abrigo da "loi Hoguet" (a lei de 1970 que regula os profissionais imobiliários franceses); uma garantia financeira de pelo menos 110000€ sempre que movimenta fundos de clientes; um seguro de responsabilidade civil profissional válido; um mediador de consumo registrado junto ao Estado; uma inscrição sem manchas no registro nacional de empresas; uma tabela de honorários com impostos incluídos publicada no site; um registro de mandatos em dia; e controles antilavagem de dinheiro aplicados de verdade. Nada disso depende da palavra da agência: cada ponto pode ser conferido em um arquivo público. Uma agência séria apresenta esses comprovantes sem se fazer de rogada. A que foge deles já disse o essencial.
1. A "carte T", a base da loi Hoguet
Na França, ninguém pode vender ou alugar um imóvel por conta de outra pessoa sem licença profissional. A loi Hoguet, de 2 de janeiro de 1970, exige: a "carte T" para a compra e venda e o aluguel, a "carte G" para a gestão locativa. Quem a emite é a câmara de comércio e indústria (CCI), a cada 3 anos, sob condições de aptidão profissional, idoneidade e seguro. Exercer sem ela não é uma simples irregularidade: é um crime punido com 6 meses de prisão e 7500€ de multa.
Onde verificar: o arquivo público dos profissionais do setor imobiliário mantido pelas CCI. Digite o nome da agência: aparecem o número da licença, a validade e as atividades autorizadas.

O que você ganha: a certeza de que a agência provou sua competência perante a administração, de que está segurada e de que a CCI pode cassar a licença ao primeiro deslize. Uma agência ausente desse arquivo simplesmente não tem o direito de exercer.
2. A garantia financeira que protege o seu dinheiro
A partir do momento em que uma agência recebe dinheiro por sua conta - o depósito de um contrato de compra e venda, a caução de um aluguel, os aluguéis que ela cobra -, ela deve ter uma garantia financeira de pelo menos 110000€, contratada junto a um garante especializado como a Galian-SMABTP ou a SOCAF ou junto a um banco. Se a agência falhar, esse garante devolve os seus fundos. Atenção às licenças com a menção "sans détention de fonds" ("sem movimentação de fundos"): a agência pode exercer, mas você nunca deve entregar a ela um único euro. Tudo passa pelo notário ou diretamente entre as partes.
Onde verificar: o nome do garante consta na ficha do arquivo CCI citado acima. Ele também deve aparecer nos seus mandatos, nas menções legais do site e nas informações expostas na vitrine ou on-line.
A segurança concreta: mesmo que a agência vá à falência ou aplique um golpe em você, o dinheiro que você confiou a ela não vira fumaça.
3. O seguro de responsabilidade civil profissional
Um laudo técnico repassado errado, um prazo de desistência notificado fora de hora, uma metragem copiada no olho para o contrato: erros assim custam caro, e nem sempre para a agência. Por isso a lei francesa obriga todo titular de licença a ter um seguro de responsabilidade civil profissional ("assurance RCP"), que indeniza os clientes prejudicados por um erro da agência.
Onde verificar: peça o certificado do seguro em vigor. Fornecê-lo faz parte das obrigações do profissional, e qualquer agência o tem à mão: a nossa envia por e-mail no mesmo dia.
Na prática: se um erro da agência causar prejuízo a você, quem paga a conta é uma seguradora solvente, sem depender do caixa do momento.
4. O mediador de consumo
Desde 2016, todo profissional que vende a particulares na França deve aderir a um dispositivo de mediação de consumo (artigo L612-1 do Código de Consumo francês). Um litígio sem solução depois de uma reclamação por escrito? Você aciona esse mediador gratuitamente, antes de qualquer processo. O nome e os contatos dele devem constar no site e nos documentos contratuais da agência.
Onde verificar: a lista oficial de mediadores registrados publicada pelo Ministério da Economia francês. Confira se o mediador anunciado pela agência está mesmo inscrito nela.

O benefício: um recurso gratuito e supervisionado pelo Estado para o dia em que o diálogo com a agência emperrar.
5. O registro e a saúde da empresa
Uma agência é, antes de tudo, uma sociedade. Sua antiguidade, seus dirigentes, seu capital, eventuais processos de insolvência como uma recuperação ou uma liquidação: tudo é público. Cinco minutos de leitura ensinam mais do que o mais bonito dos folhetos comerciais.
Onde verificar: o Annuaire des Entreprises, o diretório oficial de empresas do Estado francês. Pesquise o nome ou o número SIREN da agência (seu identificador único de empresa) e você obtém a data de criação, os dirigentes, os anúncios no diário oficial e os processos eventualmente em curso.
Por que isso importa: você sabe a quem está confiando o seu projeto. Uma sociedade em liquidação judicial que continua assinando mandatos se descobre aqui, não na vitrine dela.
6. A tabela de honorários, publicada e acessível
Os honorários de uma agência francesa são livres. A publicação deles, não. Uma portaria de 10 de janeiro de 2017, alterada em 2022, obriga a publicar a tabela de preços com impostos incluídos, para todos os serviços, na agência e no site, e a torná-la acessível a partir de qualquer página que exiba anúncios. Uma tabela impossível de achar ou enterrada no fundo do site, é uma infração - e, muitas vezes, o sinal de honorários "conforme a cara do cliente".
Onde verificar: no site da agência, a tabela deve estar a 2 cliques, não mais. A ficha prática da DGCCRF sobre as obrigações dos profissionais do setor imobiliário (a DGCCRF é a autoridade francesa de defesa do consumidor) detalha todas as regras de publicação e de anúncio.
O que muda para você: honorários conhecidos antes de se comprometer, comparáveis de uma agência para outra, e nenhuma linha surpresa enfiada na hora de assinar.
7. O registro de mandatos e os controles antilavagem de dinheiro
Cada "mandat" (o contrato escrito que autoriza a agência a vender ou alugar um imóvel) deve ser inscrito cronologicamente em um registro numerado. Sem número de inscrição, o mandato é nulo e a agência não tem direito a honorário nenhum. As agências fazem parte, além disso, das profissões sujeitas ao combate à lavagem de dinheiro (o dispositivo TRACFIN, a unidade de inteligência financeira francesa): elas devem identificar os clientes e questionar a origem dos fundos.
Esse ponto costuma surpreender os nossos clientes, mas no sentido inverso. Quando uma agência pede a você um documento de identidade, um comprovante de residência ou a origem da sua entrada, ela não está exagerando: está aplicando o Código Monetário e Financeiro francês. É um sinal de seriedade, não uma intromissão.
Onde verificar: o número de registro deve constar na sua via do mandato. Quanto à parte antilavagem, confie no comportamento da agência: a que não pede nada a você é a que deveria preocupar.
O resultado: mandatos juridicamente sólidos e uma agência que filtra as operações duvidosas, inclusive aquelas em que a vítima poderia ser você.
8. As avaliações de clientes, lidas com método
As avaliações on-line continuam úteis, desde que cruzadas. Uma nota isolada não prova nada, e as avaliações falsas, compradas ou assinadas por conhecidos, seguem sendo uma prática punida que a DGCCRF persegue ativamente. Alguns reflexos que funcionam: compare várias plataformas (Google, diretórios locais, redes sociais), leia primeiro as avaliações negativas e sobretudo as respostas da agência, desconfie das rajadas de elogios publicados na mesma semana, e observe se as avaliações descrevem uma situação real - uma venda, um aluguel, uma gestão - em vez de generalidades vagas.
Onde verificar: a ficha da DGCCRF sobre as avaliações falsas de consumidores, e o SignalConso para denunciar uma prática enganosa ou consultar as denúncias já registradas.
O que isso revela: a verdadeira relação com os clientes, por trás da média exibida. Uma agência que responde com calma a uma avaliação injusta diz muito mais do que uma agência nota 5/5 sem um único comentário detalhado.
Os sinais de alerta que devem fazer você fugir
Lista vermelha: pare tudo se constatar um destes pontos.
- A agência não aparece no arquivo de licenças profissionais das CCI.
- Ela se recusa a enviar o certificado do seguro ou o nome do garante financeiro.
- Ela exige uma transferência para uma conta que não é nem uma conta de depósito em garantia nem a de um notário.
- Pedem a você um pagamento antes de qualquer visita ou antes da assinatura do contrato de aluguel ou de compra e venda.
- Nenhuma tabela de honorários está publicada ou os valores mudam de uma conversa para outra.
- Seu interlocutor pressiona você a assinar "hoje, senão o imóvel vai embora" sem deixar tempo para ler.
Um único desses sinais basta para suspender o projeto e retomar as verificações deste artigo, uma por uma.
Estudantes estrangeiros, expatriados: as suas proteções específicas
Se você chega do exterior para estudar ou trabalhar em Montpellier, é o alvo dos sonhos dos golpistas: aluga a distância, está descobrindo o direito francês e tem pressa. Comece memorizando os tetos legais. Montpellier é classificada como "zone tendue" (zona de alta demanda, onde aluguéis e honorários são regulados): desde 1º de janeiro de 2026, os honorários que uma agência pode cobrar do inquilino estão limitados a 10,09€/m² de superfície habitável, mais 3,03€/m² pela vistoria de entrada ("état des lieux"). Para um estúdio de 20 m², a conta não pode passar de 262,40€. O simulador oficial de service-public.gouv.fr faz o cálculo por você.

A caução também tem teto: 1 mês de aluguel sem encargos na locação sem mobília, 2 meses com mobília. E toda quantia exigida antes da visita ou antes da assinatura do contrato é ilegal, sem exceção alguma. Esse é exatamente o mecanismo do golpe do falso proprietário: um anúncio tentador, um "proprietário no exterior" e o pedido de uma transferência para "reservar" o imóvel. Nunca pague para visitar. Nunca pague antes de ter assinado um contrato e verificado a identidade da pessoa à sua frente.
Três recursos oficiais estão disponíveis em inglês: a ficha do service-public sobre os honorários de agência no aluguel, a da caução e o guia da Campus France para evitar golpes de aluguel. Falamos inglês, espanhol e português, e o nosso serviço de relocation acompanha justamente as chegadas do exterior, verificações incluídas.
E a Alpaca Immobilier?
Difícil publicar esta checklist sem nos submetermos a ela. Aqui estão, portanto, os nossos próprios comprovantes, todos verificáveis nos arquivos públicos citados acima:
| Verificação | Nosso comprovante |
|---|---|
| Licença profissional | CPI 3402 2024 000 000 002, emitida pela CCI de l'Hérault |
| Registro da empresa | SIREN 981 365 752, RCS Montpellier |
| Garantia financeira e RCP | +Simple (seguradora QBE) |
| Mediador de consumo | Vivons Mieux Ensemble, inscrito na lista oficial |
| Tabela de honorários | Publicada na nossa página nossa agência |
O detalhe está nas nossas menções legais, e os nossos certificados seguem mediante simples pedido, como exige a lei. Uma dúvida sobre um projeto de venda, compra ou aluguel em Montpellier e nas comunas ao norte da aglomeração? Ligue para o 09 70 70 31 07 ou escreva para nós: respondemos às perguntas de verificação com o mesmo prazer com que respondemos a um pedido de avaliação.



